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13/07/2018 �s 22:28 por Entrevistas
Entrevista - Escritor, Aislan Coulter
creditos: THS

Aislan Coulter é graduado Letras, Pedagogia e pós- graduando em Produção Textual em Língua Portuguesa. É autor dos livros O Cordel de Sangue e Twittando com o Vampiro. Membro da comunidade literária Mal do Horror e um dos autores da antologia do Congresso Nacional de Escrita Criativa.

 

Equipe THS: Como foi o seu primeiro contato com a literatura? E por que terror?

 

Aislan Coulter: Meu primeiro contato com a literatura foi na infância. A estante de livros do meu avô, um britânico veterano da Primeira Guerra Mundial. Não cheguei a conhecê-lo, conheci apenas os seus livros. Eu e o meu irmão crescemos embaixo daquela estante e isso foi fantástico. Por que o terror? Eu fui predestinado. Numa tarde de inverno, eu e o meu irmão brincávamos embaixo da estante, quando um brinquedo caiu lá atrás e eu me esforcei para pegá-lo. Notei que havia algo preso entre a estante e a parede e trouxe aquilo para fora. Era um livro empoeirado, estava conservado apesar do tempo. Era a versão de bolso de O Exorcista. Foi a primeira vez que segurei um livro de horror nas mãos. Aquilo foi realmente impactante. Um tempo depois, fui ao correio com a minha mãe e em um daqueles catálogos da Ediouro que ficava em cima do balcão me deparei com Drácula de Bram Stocker. Foi o meu primeiro livro. Isso em meados de 91 (eu tinha apenas onze anos). No ano seguinte, minha mãe começou a trabalhar em uma biblioteca e eu sempre a acompanhava. Uma noite, antes do fechamento do expediente, o inspetor de aluno se aproximou da mesa em que eu estava e disse: ?Você gosta de ler, não é, garoto? Você ainda não tem idade, mas quando tiver leia isso aqui? e jogou um exemplar de O iluminado do Stephen King sobre a mesa. Eu nunca me esqueci daquela noite. 

 


Equipe THS:  Por que acha que as pessoas deveriam ler o seu livro? Qual o diferencial?

 


Aislan Coulter:  Todas as histórias já foram contadas. O diferencial de uma história está na narrativa. A história não é somente o que você tem a dizer, mas como você o diz. Originalidade é a junção de conteúdo e forma, a escolha distinta de temas com uma forma única de moldar a narração. Tudo acontece dentro de estruturas arquetípicas e estereotipadas. Meu livro é sobre vampiros. E o segredo de uma boa narrativa sobre vampiros são as características estereotipadas e eu as preservei. Os caixões, a amada imortal, os caçadores de vampiros, as réstias de alho, os crucifixos estão lá. Se você gosta de livros de vampiros, vampiros clássicos, com muito sangue, muito sangue mesmo, fantasmas, bruxaria e cabeças pendendo das omoplatas fica a dica: Twittando com o Vampiro.


Equipe THS: Nos dias de hoje, principalmente no cenário do terror/horror, publicar um livro não é tarefa fácil. O mercado em expansão é o estrangeiro e não há muito espaço para produções nacionais. Qual a maior dificuldade que você encontra ou encontrou nessa questão? E qual dica você da a quem está começando a escrever.


Aislan Coulter:  A maior dificuldade é encontrar leitores. Formar o seu público leitor não é tarefa fácil. E se você for um autor independente isso pode ser mais difícil ainda. A única coisa que você deve realmente se preocupar é em garantir um livro bem escrito. Se você quer realmente escrever um livro, entenda que a escrita é uma arte e o fato de você ter sido o melhor aluno de português do colegial ou ter se graduado em Letras não te transforma em um escritor. A escola não forma escritores. Temos aulas de arte no colégio e ninguém sai de lá pintor ou escultor. É preciso aperfeiçoamento, técnica e prática. Muita prática. Se você sonhasse em compor uma sinfonia, você diria ?puxa... estudei piano na adolescência e toquei guitarra como ninguém... ouvi um bocado de música... bom, acho que vou compor uma sinfonia para a filarmônica amanhã?? É óbvio que não. Mas infelizmente é o que acontece com muitos escritores iniciantes. Se você quer se tornar um escritor profissional, leia o máximo que puder. Leia como escritor, com caneta e papel na mão, anotando tudo. Estabeleça uma rotina de escrita e crie metas diárias. Outro erro é achar que não precisa estudar gramática ?ah, tem o revisor, o preparador, depois que o meu livro for aprovado eles se viram?. Os revisores e preparadores estão lá para melhorar aquilo que já está ótimo. Não estou dizendo que você precisa afundar a cabeça no Napoleão Mendes de Almeida. Não é isso. Um escritor não precisa saber a definição de um verbo defectivo ou o que é um síndeto. Mas precisa conhecer a gramática de forma usual. Afinal, você vai precisar dela. Na jornada da escrita seu objetivo é se tornar o que os editores chamam de ?escritor pronto? e é óbvio que isso não engloba apenas a gramática, a gramática é a pontinha do Iceberg.

 

Equipe THS:  Seus personagens são bem construídos. Você se identifica com algum deles? Se sim, em quais aspectos?


Aislan Coulter:  Os personagens são âncoras emocionais para os leitores. Os melhores personagens são aqueles com os quais nos conectamos, pelos quais torcemos frente às adversidades e sofremos com eles. A empatia é o segredo de tudo. Quando não me identifico com um personagem sei que estou no caminho errado.

 

Equipe THS:  O que mais atrai você quando procura ler algum livro?


Aislan Coulter:  Deixe-me ver... O que mais me atrai... Já fui fisgado de várias maneiras. Quando o assunto é literatura sou um peixe de aquário, fácil de ser apanhando (risos).

 

Equipe THS:  Sobre o seu novo livro, Twittando com o Vampiro, nos conte um pouco sobre ele, criação, sinopse...


Aislan Coulter:  Twittando com o Vampiro é um livro que traz o vampiro clássico numa roupagem moderna. É um livro de horror. Há pitadas de vodu e alguns fantasmas também. A história se desenrola por meio de três narrativas: A morte narrando os ataques do vampiro; as páginas do diário de Aline Brein, uma jovem esquizofrênica que teve sua intimidade exposta na internet; um assassino da Deep Web no Norte do país em busca de uma cruz. O livro traz questões atuais como o crime eletrônico, garotas que perdem sua dignidade em vídeos expostos na internet. Sobre a criação, sou metódico e escrevo todos os dias. Geralmente, termino o primeiro rascunho em três meses. Nesse processo reescrevo umas cinco ou seis vezes. Imprimo o material e reescrevo mais umas duas ou três vezes. Deixo o texto descansar por um tempo. Então, tiro da gaveta e faço a última reescrita.

 



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� Sadinoel
20h51 do dia 28/09/2018
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